sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Não se trata só sobre furar bonecos – Por Jaine Santos*

Todos nós já nos perguntamos sobre até onde iriamos por um sonho. Se enfrentaríamos nossos maiores medos ou recuaríamos, se daríamos “a cara a tapa” ou nos esconderíamos atrás de alguém que ousaria fazer aquilo que poderíamos ter feito.
Depois de uma gloriosa resistência à ditadura militar com tantas perdas e vitorias, período esse onde era difícil ser um sonhador e nem por isso eles deixaram de existir lutando bravamente nas colunas dos campos e nas colunas urbanas e triunfaram, hoje voltam a dizer que são tempos difíceis para os sonham. Onde sonhar se tornou novamente perigoso.
Em meio a uma disputa entre dois projetos políticos opostos: a direita e a esquerda; os opressores e oprimidos; os que usam e os que acreditam, nos deparamos nesse contexto com um questionamento. O que devemos fazer?
Devemos ter CORAGEM!
Nos orgulhamos de (Diná) Dinalva Teixeira, Carlos Marghella, Helenira Rezende, André Grabois, Dilma entre outros. Esses são sonhadores, é claro, mas nos orgulhamos por sua coragem. Ousadia de encarar os desafios sem medo das consequências trazidas. Representam não somente a si próprios, representam todos aqueles que sonham.
Ousamos SIM! Mostramos nossa opinião e nos posicionamos na ofensiva das retaliações, defendendo a democracia que tanto foi lutada por esses heróis que foram longe a ponto de entregar sua vida ao sonho. Por isso a UJS não deixa nenhum boneco em pé. Não se trata só sobre furar bonecos infláveis. Isso qualquer um faz por qualquer justificativa. No entanto se trata de representações. Os famosos pixulecos não são caricaturas da presidenta Dilma ou do ex-presidente Lula, eles são a ridicularizarão de todas as conquistas obtidas em tempos difíceis e após eles. Trata-se do pobre que compra o carro e adquire sua casa própria, do negro que entra na universidade, do jovem que tem curso técnico, da empregada que anda de avião.Trata-se de sonhos.
Quando me perguntaram o porquê de ter furado o boneco, respondi “Quem passou pela ditadura militar vai muito bem enfrentar seus sonhos ameaçados por mais um golpe”. Diante disso prefiro ficar com Guimarães Rosa quando ele diz que o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela que da gente é coragem!
*Presidenta da UJS São Luis 

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